Disjuntor que desarma e não arma mais: curto ou disjuntor queimado?
Por Marcos Oliveira
O disjuntor que desarma e não volta está dizendo uma de duas coisas: ou há um curto ativo no circuito, ou o próprio disjuntor travou ou queimou por dentro. Dá para separar os dois casos com um teste simples, feito sem carga: desligue tudo o que está ligado no circuito e tente rearmar. O resultado indica o caminho.
Como o disjuntor funciona (resumo útil)
O disjuntor termomagnético tem duas proteções. A parte térmica reage a sobrecarga lenta, quando a corrente fica acima do limite por algum tempo: uma lâmina de metal esquenta, entorta e libera a alavanca. A parte magnética reage ao curto-circuito, quando a corrente sobe de uma vez, e desarma na hora.
Depois de atuar, o disjuntor precisa ser rearmado. Se o problema que o fez desarmar continua lá, ele desarma de novo. Se o problema é do próprio disjuntor, ele pode nem aceitar o rearme.
Primeiro passo: descubra qual circuito desarmou
No quadro, com a tampa frontal fechada ou aberta apenas pela portinhola de acesso às alavancas, procure o disjuntor com a alavanca em posição diferente das demais: abaixada ou em posição intermediária. Se o quadro tem etiquetas, veja a que parte da casa ele serve. Se for o disjuntor geral, o problema afeta a casa inteira.
Não remova a tampa interna do quadro nem toque nos cabos ou parafusos dos disjuntores. A alavanca é a única parte feita para o usuário.
Teste com todos os aparelhos do circuito desligados
Este é o teste que separa curto na instalação de defeito do disjuntor.
- Com a casa em condição segura (sem mão molhada, sem pisar em poça), vá aos cômodos atendidos pelo circuito.
- Tire da tomada todos os aparelhos: carregadores, TV, geladeira, micro-ondas, ferro, ventilador, tudo o que está ligado a esse circuito. Apague as luzes pelos interruptores.
- Desligue interruptores e abaixe a alavanca do disjuntor até o fim.
- Suba a alavanca com firmeza, de uma vez, sem hesitar.
- Observe o resultado:
- Rearmou e ficou: o curto estava em algum aparelho ou lâmpada. Vá ligando um por um, com intervalo, até o disjuntor desarmar de novo: o último aparelho ligado é o suspeito.
- Desarmou na hora, mesmo sem nada ligado: o problema está na instalação (fiação, tomada, interruptor ou luminária fixa) ou no disjuntor.
- Não ficou em cima, alavanca mole ou travada: suspeita de defeito do mecanismo.
Como saber se o mecanismo do disjuntor travou
Sinais objetivos de que o defeito é do disjuntor, e não do circuito:
| Sinal | O que sugere |
|---|---|
| Alavanca solta, sem resistência ao subir | Mecanismo interno quebrado |
| Alavanca sobe e cai sozinha, com o circuito vazio | Contato interno com defeito ou curto na fiação |
| Plástico amarelado, derretido ou com marca de calor | Mau contato, aperto frouxo ou sobrecarga repetida |
| Cheiro de queimado ao lado do quadro | Aquecimento anormal no disjuntor ou no cabo |
| Estalo ou faísca ao rearmar | Curto ativo ou contato danificado |
| Disjuntor muito velho, que desarma sem motivo aparente | Desgaste interno |
Nenhum desses sinais deve ser investigado abrindo o disjuntor ou o quadro. A peça é lacrada e a verificação elétrica, com instrumento, é do técnico.
O que fazer quando rearmou depois do teste
Se o disjuntor aceitou o rearme com tudo desligado, siga com calma:
- ligue um aparelho por vez, esperando alguns minutos entre um e outro;
- se desarmar com um aparelho específico, desligue-o da tomada e não o use até a avaliação: pode haver curto interno ou resistência queimada;
- se desarmar apenas com vários aparelhos juntos, é sobrecarga: o circuito não suporta a soma deles, e a solução é distribuir melhor as cargas ou ampliar o circuito.
Curto-circuito: o que o corpo e o nariz percebem
Alguns avisos de que o problema é elétrico e não só do disjuntor:
- cheiro de plástico queimado em tomada ou interruptor;
- tomada ou espelho quente, com cor mais escura;
- luz que pisca antes de o disjuntor desarmar;
- barulho de estalo dentro da parede.
Nesses casos, não rearme repetidamente o disjuntor. Cada tentativa com curto ativo aplica uma corrente alta ao cabo e ao disjuntor, e pode piorar o dano. Deixe a alavanca desligada e chame um eletricista.
Disjuntor velho desarmando: quando a peça já cumpriu sua vida
Disjuntores não duram para sempre. Um modelo antigo pode:
- desarmar com carga que antes aguentava;
- esquentar com carga normal;
- ficar mole ao ser rearmado.
A troca de disjuntor é feita por eletricista, com o circuito desenergizado no geral, e com peça de mesma corrente e curva da original. O profissional também verifica se o cabo que chega ao disjuntor está íntegro e bem apertado, porque muitos disjuntores "velhos" na verdade têm um terminal frouxo, que esquenta e danifica a peça.
Quando o disjuntor desarma só em dia de chuva ou ao ligar certo aparelho
Padrões ajudam o eletricista a achar a causa. Anote, antes da visita:
- se o desarme acontece em dia de chuva ou de umidade alta, o que sugere infiltração em tomada externa, luminária de jardim ou caixa de passagem;
- se ocorre ao ligar um aparelho específico, o que aponta para o aparelho;
- se ocorre em horário fixo, como quando a bomba ou o ar-condicionado dão partida;
- se o desarme é no disjuntor de um circuito ou no DR, porque o DR desarma por fuga de corrente, e não por sobrecarga.
Essas informações encurtam a visita e diminuem o risco de troca de peça desnecessária.
Quando chamar um técnico
Chame o eletricista se:
- o disjuntor não rearma nem com tudo desligado e desconectado;
- ele desarma na hora ao subir a alavanca;
- há cheiro de queimado, plástico derretido ou estalos;
- o disjuntor geral é o que desarma;
- o mesmo disjuntor desarma sempre, mesmo com poucos aparelhos.
Na visita, o profissional mede o isolamento do circuito, localiza o ponto do curto e decide entre trocar o disjuntor, refazer um trecho de fiação ou substituir uma tomada ou luminária. Pergunte o que causou o desarme, se a peça nova tem a mesma corrente da antiga e se o cabo que sai dela suporta a carga. Enquanto isso, mantenha o disjuntor desligado e os aparelhos fora da tomada.
Perguntas frequentes
Por que o disjuntor desarma e não arma de novo?
Há dois cenários. No primeiro, o circuito ainda tem um curto ou uma fuga, e o disjuntor desarma de novo assim que a alavanca sobe. No segundo, o disjuntor em si está com o mecanismo travado ou queimado. O teste com tudo desligado do circuito ajuda a separar os dois.
Disjuntor velho desarmando à toa é sinal de que precisa trocar?
Pode ser. Com o tempo, o contato interno desgasta e o disjuntor passa a esquentar ou a desarmar com carga que antes aguentava. Disjuntor quente, com plástico amarelado ou derretido, deve ser trocado por eletricista, junto com a avaliação do cabo que chega a ele.
O disjuntor desarma e a alavanca fica no meio. Isso é normal?
Em alguns modelos, a alavanca vai para uma posição intermediária quando o disjuntor atua por sobrecarga ou curto. Para rearmar, empurre a alavanca até o fim para baixo (desligado) e só depois suba. Se ela não oferece resistência ou não fica na posição, o mecanismo pode estar com defeito.
Posso trocar o disjuntor por um de amperagem maior para parar de desarmar?
Não. O disjuntor é dimensionado para proteger o cabo. Um disjuntor maior deixa o cabo esquentar sem desarmar, e o risco de incêndio dentro da parede aumenta. Se o circuito desarma por sobrecarga, o caminho é redistribuir a carga ou refazer o circuito com cabo adequado, o que é serviço de eletricista.