Pular para o conteúdo
Casa e Decoração5 min de leitura

Disjuntor que desarma e não arma mais: curto ou disjuntor queimado?

Por Marcos Oliveira

O disjuntor que desarma e não volta está dizendo uma de duas coisas: ou há um curto ativo no circuito, ou o próprio disjuntor travou ou queimou por dentro. Dá para separar os dois casos com um teste simples, feito sem carga: desligue tudo o que está ligado no circuito e tente rearmar. O resultado indica o caminho.

Como o disjuntor funciona (resumo útil)

O disjuntor termomagnético tem duas proteções. A parte térmica reage a sobrecarga lenta, quando a corrente fica acima do limite por algum tempo: uma lâmina de metal esquenta, entorta e libera a alavanca. A parte magnética reage ao curto-circuito, quando a corrente sobe de uma vez, e desarma na hora.

Depois de atuar, o disjuntor precisa ser rearmado. Se o problema que o fez desarmar continua lá, ele desarma de novo. Se o problema é do próprio disjuntor, ele pode nem aceitar o rearme.

Primeiro passo: descubra qual circuito desarmou

No quadro, com a tampa frontal fechada ou aberta apenas pela portinhola de acesso às alavancas, procure o disjuntor com a alavanca em posição diferente das demais: abaixada ou em posição intermediária. Se o quadro tem etiquetas, veja a que parte da casa ele serve. Se for o disjuntor geral, o problema afeta a casa inteira.

Não remova a tampa interna do quadro nem toque nos cabos ou parafusos dos disjuntores. A alavanca é a única parte feita para o usuário.

Teste com todos os aparelhos do circuito desligados

Este é o teste que separa curto na instalação de defeito do disjuntor.

  1. Com a casa em condição segura (sem mão molhada, sem pisar em poça), vá aos cômodos atendidos pelo circuito.
  2. Tire da tomada todos os aparelhos: carregadores, TV, geladeira, micro-ondas, ferro, ventilador, tudo o que está ligado a esse circuito. Apague as luzes pelos interruptores.
  3. Desligue interruptores e abaixe a alavanca do disjuntor até o fim.
  4. Suba a alavanca com firmeza, de uma vez, sem hesitar.
  5. Observe o resultado:
    • Rearmou e ficou: o curto estava em algum aparelho ou lâmpada. Vá ligando um por um, com intervalo, até o disjuntor desarmar de novo: o último aparelho ligado é o suspeito.
    • Desarmou na hora, mesmo sem nada ligado: o problema está na instalação (fiação, tomada, interruptor ou luminária fixa) ou no disjuntor.
    • Não ficou em cima, alavanca mole ou travada: suspeita de defeito do mecanismo.

Como saber se o mecanismo do disjuntor travou

Sinais objetivos de que o defeito é do disjuntor, e não do circuito:

Sinal O que sugere
Alavanca solta, sem resistência ao subir Mecanismo interno quebrado
Alavanca sobe e cai sozinha, com o circuito vazio Contato interno com defeito ou curto na fiação
Plástico amarelado, derretido ou com marca de calor Mau contato, aperto frouxo ou sobrecarga repetida
Cheiro de queimado ao lado do quadro Aquecimento anormal no disjuntor ou no cabo
Estalo ou faísca ao rearmar Curto ativo ou contato danificado
Disjuntor muito velho, que desarma sem motivo aparente Desgaste interno

Nenhum desses sinais deve ser investigado abrindo o disjuntor ou o quadro. A peça é lacrada e a verificação elétrica, com instrumento, é do técnico.

O que fazer quando rearmou depois do teste

Se o disjuntor aceitou o rearme com tudo desligado, siga com calma:

  • ligue um aparelho por vez, esperando alguns minutos entre um e outro;
  • se desarmar com um aparelho específico, desligue-o da tomada e não o use até a avaliação: pode haver curto interno ou resistência queimada;
  • se desarmar apenas com vários aparelhos juntos, é sobrecarga: o circuito não suporta a soma deles, e a solução é distribuir melhor as cargas ou ampliar o circuito.

Curto-circuito: o que o corpo e o nariz percebem

Alguns avisos de que o problema é elétrico e não só do disjuntor:

  • cheiro de plástico queimado em tomada ou interruptor;
  • tomada ou espelho quente, com cor mais escura;
  • luz que pisca antes de o disjuntor desarmar;
  • barulho de estalo dentro da parede.

Nesses casos, não rearme repetidamente o disjuntor. Cada tentativa com curto ativo aplica uma corrente alta ao cabo e ao disjuntor, e pode piorar o dano. Deixe a alavanca desligada e chame um eletricista.

Disjuntor velho desarmando: quando a peça já cumpriu sua vida

Disjuntores não duram para sempre. Um modelo antigo pode:

  • desarmar com carga que antes aguentava;
  • esquentar com carga normal;
  • ficar mole ao ser rearmado.

A troca de disjuntor é feita por eletricista, com o circuito desenergizado no geral, e com peça de mesma corrente e curva da original. O profissional também verifica se o cabo que chega ao disjuntor está íntegro e bem apertado, porque muitos disjuntores "velhos" na verdade têm um terminal frouxo, que esquenta e danifica a peça.

Quando o disjuntor desarma só em dia de chuva ou ao ligar certo aparelho

Padrões ajudam o eletricista a achar a causa. Anote, antes da visita:

  • se o desarme acontece em dia de chuva ou de umidade alta, o que sugere infiltração em tomada externa, luminária de jardim ou caixa de passagem;
  • se ocorre ao ligar um aparelho específico, o que aponta para o aparelho;
  • se ocorre em horário fixo, como quando a bomba ou o ar-condicionado dão partida;
  • se o desarme é no disjuntor de um circuito ou no DR, porque o DR desarma por fuga de corrente, e não por sobrecarga.

Essas informações encurtam a visita e diminuem o risco de troca de peça desnecessária.

Quando chamar um técnico

Chame o eletricista se:

  • o disjuntor não rearma nem com tudo desligado e desconectado;
  • ele desarma na hora ao subir a alavanca;
  • há cheiro de queimado, plástico derretido ou estalos;
  • o disjuntor geral é o que desarma;
  • o mesmo disjuntor desarma sempre, mesmo com poucos aparelhos.

Na visita, o profissional mede o isolamento do circuito, localiza o ponto do curto e decide entre trocar o disjuntor, refazer um trecho de fiação ou substituir uma tomada ou luminária. Pergunte o que causou o desarme, se a peça nova tem a mesma corrente da antiga e se o cabo que sai dela suporta a carga. Enquanto isso, mantenha o disjuntor desligado e os aparelhos fora da tomada.

Perguntas frequentes

Por que o disjuntor desarma e não arma de novo?

Há dois cenários. No primeiro, o circuito ainda tem um curto ou uma fuga, e o disjuntor desarma de novo assim que a alavanca sobe. No segundo, o disjuntor em si está com o mecanismo travado ou queimado. O teste com tudo desligado do circuito ajuda a separar os dois.

Disjuntor velho desarmando à toa é sinal de que precisa trocar?

Pode ser. Com o tempo, o contato interno desgasta e o disjuntor passa a esquentar ou a desarmar com carga que antes aguentava. Disjuntor quente, com plástico amarelado ou derretido, deve ser trocado por eletricista, junto com a avaliação do cabo que chega a ele.

O disjuntor desarma e a alavanca fica no meio. Isso é normal?

Em alguns modelos, a alavanca vai para uma posição intermediária quando o disjuntor atua por sobrecarga ou curto. Para rearmar, empurre a alavanca até o fim para baixo (desligado) e só depois suba. Se ela não oferece resistência ou não fica na posição, o mecanismo pode estar com defeito.

Posso trocar o disjuntor por um de amperagem maior para parar de desarmar?

Não. O disjuntor é dimensionado para proteger o cabo. Um disjuntor maior deixa o cabo esquentar sem desarmar, e o risco de incêndio dentro da parede aumenta. Se o circuito desarma por sobrecarga, o caminho é redistribuir a carga ou refazer o circuito com cabo adequado, o que é serviço de eletricista.

Marcos Oliveira

Sobre o autor

Marcos Oliveira

Marcos Oliveira é editor do Geo Mundo, responsável pela pauta, revisão e publicação dos conteúdos do portal. Trabalha com produção de conteúdo digital e acompanha de perto os temas de casa e serviços, consumo, tecnologia e negócios, sempre com foco em informação clara e útil para o dia a dia do leitor.

Instagram

Artigos relacionados